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20/11/2008 - 11:19

Do líder do PMDB: a culpa é do governo

O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN) é primo do presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), e um bom termômetro de como bateu dentro do partido essa encrenca da medida provisória 446. Perguntei se o PMDB vai ficar do lado do governo ou do Garibaldi:

- Pois é, colocaram o partido numa confusão. Nós estamos em plena campanha para eleger o Michel Temer presidente da Câmara e não, pretendíamos, neste momento, nos envolver em polêmicas. Mas a verdade é que o governo está sendo teimoso.

Como assim?

- Ora, essa MP não faz sentido. Expõe o governo de maneira desnecessária, em defesa de entidades em situação irregular. Todo mundo sabe disso. Até o próprio José Múcio (Monteiro, coordenador político do Palácio do Planalto) já tinha admitido. Mas aí veio o Henrique Fontana (PT-RS, líder do governo na Câmara) e diz que a medida está correta, que é isso mesmo, que ela foi mal compreendida. Ou seja, deu o sinal de que o governo ia insistir na história, pura teimosia. Aí obrigou o presidente do Senado a tomar uma atitude. Não quero entrar no mérito da decisão, nem trazer essa encrenca para o PMDB da  Câmara, que está procupado com a eleição do Temer. Mas que o governo errou, errou.

Bem, quem conhece as entrelinhas do discurso peemedebista sabe que, embora o líder diga que quer ficar fora da encrenca, na verdade o PMDB já está nela até o pescoço. Mais: quem conhece a malemolência do partido, sabe que eles vão tirar alguma vantagem dessa história. O gesto de Garibaldi, na verdade, é um sinal para o Palácio: cuidado que o PMDB não é fraco, não. Primeiro eles mandam o sinal, depois apertam o garrote, depois afrouxam. E, no final, cobram a conta.

Mas que o líder está certo, lá isto está, mesmo: o governo está teimando com uma medida provisória incongruente. Na verdade, está teimando com toda essa história de medidas provisórias. Já era hora de elas acabarem mesmo. Não serem mais usadas.

 

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18/11/2008 - 16:59

Quixote, Sancho Pança e Suplicy

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) aproveitou o dia morno, ontem, no plenário do Senado, para anunciar uma tese gelada que dificilmente mobilizará multidões: ele, seu colega Cristovam Buarque (PDT-DF) e o paulista Eduardo Suplicy (PT) vão percorrer o país para debater a eleição presidencial de 2010.

Aproveitando-se da mídia recente em torno das eleições americanas e da escolha de Barack Obama, Simon defende a realização de prévias para a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sugere, explicitamente, que o Brasil poderia seguir o exemplo dos EUA, que escolhem seu presidente “num longo processo democrático que mobiliza o país”.

Bem, antes de mais nada, é preciso dizer que esse processo de escolha de presidente americano não é tão democrático assim. Colégios eleitorais inteiros, nos estados, são obrigados a votar num único candidato, vitorioso nas prévias, mesmo quando a diferença de votos não foi tão alta. Uma anomalia que resultou, oito anos atrás, na eleição de George Bush para presidente, com minoria. Naquela época, falou-se muito mal do sistema. Agora que deu Obama, temos essa onda aí, de que, nos EUA, a democracia é uma beleza.

Depois, é preciso ser bem claro sobre qual a questão que está levando Simon, Suplicy e Cristovam a quererem percorrer os estados. Não é nenhum sentimento menor. Mas é preciso falar claro: querem um candidato alternativo à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff – nome escolhido pelo presidente Lula – para presidente.

Disse Simon, em plenário, que, pela primeira vez depois de cinco eleições, o nome de Lula não constará da cédula de uma campanha presidencial: “Esta será uma eleição diferente, não existe candidatura natural, o próprio PT ainda não acatou o nome apoiado por Lula, da ministra Dilma Rousseff”, argumentou. E insistiu que o PMDB é o maior partido do país, mas “que, da forma como é dirigido, ficou reduzido a um acessório nas eleições presidenciais”. Simon afirma que não defende explicitamente a candidatura própria, “porque a direção do PMDB vai usar isso para negociar com o PT ou o PSDB”.

Tem razão o velho senador. Quando o presidente nacional do PMDB, Michel Temer, fala em candidatura própria, ele só está querendo, de fato, aumentar o valor do PMDB na barganha. O próprio Simon já foi usado assim: lançaram-no candidato para melhor negociar com o presidente da época, que era Fernando Henrique Cardoso.

É uma pena, mas essa caravana de Simon, Cristovam e Suplicy é a caravana dos rejeitados. São três senadores da melhor qualidade, mas têm andado meio na contramão eleitoral. Cristovam foi um pouco além dos 2% como candidato a presidente nas últimas eleições. E, agora que o presidente de seu partido, Carlos Lupi, entrou de cabeça no governo, dificilmente o PDT lhe dará a legenda novamente. Suplicy – meio que boicotado pela direção nacional do PT – elegeu-se senador com uma pequena margem sobre Guilherme Afif, do ex-PFL.

Mas nem tudo está perdido para eles. Simon e seu grupo reelegeram o prefeito de Porto Alegre, José Fogaça. Não têm voz no PMDB nacional, mas mantêm seu pequeno império no Sul. E Suplicy, como sempre, teve o destino a seu favor. A derrota de sua ex-mulher, Marta Suplicy, acabou com o último nome com força eleitoral em São Paulo – que não o do senador – para a disputa a governador em 2010.

Lula e o PT não morrem de amores pelo companheiro de partido, mas, sem ele, sairão com quem? Aloizio Mercadante queimou-se completamente nas eleições anteriores, quando foi derrotado por José Serra em meio a boatos de fabricação de dossiês contra os tucanos. José Dirceu e Ricardo Berzoini, os dois nomes de peso dentro do partido no estado, não têm grande patrimônio eleitoral. Faltam-lhes votos!

Lula pode não gostar de Suplicy. Mas, se decidiu eleger Dilma Rousseff, talvez tenha que fazer o sacrifício de colocar o senador na campanha, trazendo apoios para sua candidata. Afinal, escolher um poste no resto do Brasil e, ainda, escolher outro poste para tentar eleger no principal colégio eleitoral do país seria mais do que temeridade. Seria burrice mesmo. E o presidente já deu mostras de que não é burro.

 

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17/11/2008 - 14:28

Mercado tem cara, boca e jeito de jacaré

Pelo que me consta, foi Leonel Brizola o primeiro a usar a piadinha na política: se a coisa tem cara de jacaré, boca de jacaré e dente de jacaré, pode estar certo de que é um jacaré.

É uma piada muito apropriada para a política porque, nesse campo, o que mais se faz é a turma tentar convencer o pobre do cidadão de que uma coisa não é uma coisa. De que o jacaré pode ser um príncipe, uma lagartixa, mas nunca um jacaré.

Pensando bem, não é só na política que se age assim. Na economia também. Hoje os sites todos vieram mais ou menos assim:

“A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu o pregão desta segunda-feira em queda acentuada, influenciada pelo pessimismo global em relação à economia. Investidores assimilaram mal as determinações da reunião do G-20 (grupo das maiores economias) que esteve discutindo a crise financeira no fim de semana.

As Bolsas de Valores da Europa começaram a semana no terreno negativo, com a decepção quanto à falta de um plano prático na reunião do G20. Na Ásia, a bolsa de Tóquio encerrou o pregão em alta, apesar de o país ter anunciado que está em recessão. O índice Nikkei encerrou os negócios com ganhos de 0,71%. As outras Bolsas fecharam sem direção comum. “

Enfim, se você lê atentamente, vê que ninguém está seguro de nada e que, na falta de explicações, vale qualquer coisa. Amanhã, é provável que a bolsa suba um pouquinho (não muito), porque o pessimismo se foi, graças ao vento sudoeste que bateu sobre a economia francesa. Ontem, a desculpa foi que não gostaram dessa ou daquela declaração. Anteontem, que tudo subiu porque os investidores passaram a ver uma luz no horizonte, que logo se dissipará permitindo novas especulações…

Desculpem, mas eu estou de saco cheio dessa história. Me sentido enrolado. Acho que tem é muita gente especulando.

Há crise? Há! Ela se reflete na bolsa? Sim! Mas tem muita bobagem aí servindo para explicar que essa gente toda do mercado, embora tenham cara de jacaré, dente de jacaré, boca de jacaré, são apenas lagartixas tentado sobreviver à onda das finanças mundiais.

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11/11/2008 - 17:39

Internet e política

A propósito do post anterior, veja o texto de hoje da Folha de S.Paulo, que me foi enviado pelo amigo Sérgio Costa.

Boom de sites de campanha não explora interatividade
Número de páginas de candidatos cresce 317%, mas políticos ignoram recursos da rede

Dados são de pesquisa da UNB; para especialistas, experiências de Obama nos EUA e Gabeira no Rio podem estimular campanha on-line

ITALO NOGUEIRA
DA SUCURSAL DO RIO

A internet, terreno em que as campanhas de Barack Obama e Fernando Gabeira fizeram sucesso neste ano, é ocupada cada vez mais por candidatos, mas poucos sabem explorá-la.

Segundo pesquisa da UnB (Universidade de Brasília), houve crescimento de 317% no número de sites de candidatos no Brasil, em comparação com as últimas eleições municipais. Mas o boom não foi acompanhado da interatividade, como fizeram o presidente eleito dos EUA e o candidato derrotado à Prefeitura do Rio.

Os dois mobilizaram jovens para suas campanhas, criando “pontos de encontro” de adeptos em seus sites. As páginas tinham espaços em que voluntários organizavam ações sem a tutela dos candidatos, mas em favor deles. Eleitores de Gabeira, por exemplo, fizeram uma doação de sangue em massa, imagem que depois foi usada na campanha oficial.

O mesmo não ocorreu com os demais candidatos. Segundo estudo de Francisco Brandão, pesquisador da UnB, 9.254 candidatos a prefeito e vereador criaram sites de campanha, contra 2.218 em 2004. Mas a maioria ignorou recursos interativos, usando as páginas como “folders eletrônicos” -com fotos, textos e vídeos apenas.

A falta de legislação clara sobre propaganda na internet e o receio em descentralizar a campanha frearam, segundo especialistas, a interatividade. Neste ano, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) adotou para a internet as regras na campanha de TV e rádio, o que gerou dúvidas entre candidatos.

“Muitas vezes o candidato tem insegurança de fazer determinado evento e depois ser questionado pela Justiça Eleitoral”, diz Brandão.

Sem milagres

Especialistas afirmam que as experiências de Obama e Gabeira vão obrigar os demais a ampliar o uso de ferramentas digitais. Mas não crêem no surgimento de um fenômeno eleitoral só a partir da rede.
“Se um candidato de pouquíssima relevância usa a internet muito bem, isso não vai necessariamente alçá-lo a uma posição melhor”, diz o cientista político Francisco Paulo Jamil, da UFMG.

A pesquisa de Brandão indica justamente que a internet serviu, até agora, a candidatos com forte estrutura de campanha. A proporção de candidatos “conectados” é maior nos principais partidos e entre políticos que já exercem mandato.

“É preocupante, porque a internet pode apenas repetir distorções que existem no nosso sistema eleitoral e político. Mas mostra a força desse meio, porque os atores mais influentes já estão interessados nele”, diz.

A campanha de Obama afirma ter recebido doações de 3,1 milhões de pessoas na internet. Gabeira tentou arrecadar pela rede, mas não conseguiu autorização do TSE, que promete regulamentar esse tipo de doação para a próxima eleição.

O avanço sobre a rede tem como alvo uma fatia de 34% da população que acessa a internet, segundo o Comitê Gestor da Internet. O percentual chega a 60% entre os jovens.

Para Jamil, os candidatos com eleitorado jovem têm mais chance de “lucrar” com a internet, mas devem adequar o site. “Se o candidato defende propostas para os jovens, e esse eleitor entra no site e só há uma foto e um texto chato que está desatualizado, esse vínculo é quebrado.”

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11/11/2008 - 12:23

A grande revolução de Barack Obama

Confesso que o título acima pode se tornar meio exagerado. Pode ser que a revolução de que eu vou falar não seja a única, nem a grande revolução promovida pelo presidente negro dos EUA, Barack Obama. Se, com ele, sobrevier uma revolução nos costumes americanos, colocando uma pá de cal no racismo, esta será, sim, a grande revolução. Se o futuro presidente dos EUA acabar com a mania dos americanos de se acharem os donos do mundo, esta também será uma grande revolução. Enfim, outras tantas possibilidades de grandes revoluções se abriram com a eleição de Barack Obama. Daí essa onda de otimismo que se instalou, mesmo em meio a uma das maiores crises financeiras da História.

Mas, por enquanto, fico com a grande revolução mais à mão, aquela que a eleição de Obama já está promovendo: a entrada definitiva da internet na política.

Segundo reportagem publicada ontem no site do jornal The Washington Post, assessores e aliados do presidente eleito dos Estados Unidos estão preparando uma expansão do sistema de comunicação da Casa Branca, cujo objetivo é permitir que o democrata mantenha contato com seus apoiadores, mobilizados ao longo dos 21 meses de campanha pela internet. A reportagem afirma que Obama quer continuar a usar a rede para se manter próximo à população. Cuidará de uma base de dados com endereços de e-mail de 10 milhões de pessoas. Desse total, cerca de 3,1 milhões fizeram doações para a sua campanha e os outros se apresentaram como voluntários que organizaram grandes comícios e fizeram campanha boca a boca.

Desde o início da candidatura, o presidenciável Obama optou por fazer uma campanha sem investimentos privados, usando apenas as arrecadações de seu eleitorado. Em uma atitude inédita, decidiu que a forma prioritária de divulgação de sua propaganda eleitoral seria a rede mundial de computadores. Por meio de vídeos postados no YouTube que se tornaram verdadeiros hits, o candidato pediu pequenas contribuições que se multiplicaram. Acabou entrando para o Guinness como a maior quantia já captada numa eleição: graças à internet, a campanha democrata, arrecadou em torno de US$ 660 milhões.

Aqui no Brasil, quem mais percebeu este fenômeno foi o candidato do PV a prefeito do Rio, Fernando Gabeira. Ele também priorizou a internet, inclusive para contribuições de campanha. Tanto que, já no primeiro turno, ultrapassou em arrecadação o bispo Marcelo Crivella - com todo o poder da Igreja Universal do Reino de Deus. Valendo-se da internet, Gabeira acabou se tornando a grande surpresa das eleições no Rio, mesmo tendo chegado em segundo lugar.

No caso dos EUA, Segundo informa a tal reportagem do Washington Post, Barack Obama entendeu que, de fato, a internet traz uma nova dimensão para a política. Terminadas as eleições, sua equipe mandou, na semana passada, uma mensagem eletrônica aos apoiadores, afirmando que esta não seria a última a ser enviada pela turma do presidente. Que se preparassem os eleitores para permanecerem em linha direta com o eleito. Na quarta-feira, o próprio Obama enviou um texto aos auxiliares, no qual insistiu que a eleição deve ser o começo e não o fim desse tipo de movimento político iniciado na sua campanha. Daí que já foi criado um novo site , que dá informações sobre a transição do governo, põe à disposição um blog e um formulário de sugestões. O projeto aponta com clareza o tipo de interação com a população que a administração de Obama pretende estabelecer.

Deu para entender? Votou no sujeito, e ele manterá você em linha direta com seus auxiliares no governo. Os apoiadores de campanha continuarão opinando e - até! - participando de sua administração. É ou não é uma grande revolução?

Não sei que tipo de antropofagia a democracia americana fará deste tipo de democracia direta que a internet tende a produzir, à medida que se vai aproximando da política. Mas a movimentação da política em direção à rede mundial de computadores, produzindo um novo tipo de democracia direta, parece inevitável. Ainda mais agora que foi apadrinhada pelo presidente dos EUA.

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09/11/2008 - 12:11

PT vai apressar candidatura de Dilma Roussef

Em política, nada é gratuito. Hoje, por exemplo, o presidente nacional do PT deu uma declaração bastante curiosa, principalmente no final de semana em que se realiza reunião do Diretõrio Nacional do partido.

Berzoini disse que a mnistra Dilma Roussef, é o nome inegável dentro do PT, quando se discute a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010. Conforme anota o JB Online, “Quase que unanimidade entre os petistas, Dilma é, segundo o dirigente da legenda, uma indicação óbvia a ser feita, embora eventuais outros postulantes ao cargo não possam ser deixados de lado.

- A postura dela, o compromisso com o governo Lula e as suas ações no partido, eu posso dizer com tranqüilidade que hoje não tem ninguém com argumento contra a candidatura da ministra Dilma. O que não podemos é excluir outras candidaturas que possam surgir - disse Berzoini.

- Naturalmente, esse nome (de Dilma) vai estar sendo debatido. É a primeira vez que o presidente Lula não vai disputar a eleição desde que o PT existe. O nome mais óbvio hoje é da ministra Dilma, é inegável. É o nome do presidente Lula hoje, pessoa que tem bom relacionamento dentro do PT, embora seja pessoa de filiação recente no partido - observou.”

Por que eu disse que nada é gratuito na politica: Porque Berzoine está, na verdade, respondendo à pressão de um forte grupo de seu partido, liderado pelo ex-deputado José Dirceu, que exige uma definição rápida sobre o candidato a 2010.

Ontem em seu blog, Dirceu foi claro:

Quatro candidatos a presidente já miram 2010

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, registram os jornais, é convidado para se filiar ao PMDB por ninguém menos que o presidente nacional do partido, deputado Michel Temer (SP) e pelo líder do partido na Câmara, deputado Eduardo Alves (RN). Ao mesmo tempo, o ex -presidente senador José Sarney (AP) informa ao presidente Lula que o PMDB não abre mão da presidência do Senado.

Como vemos, e como tenho dito, 2010 é agora e o PT tem que tomar ao pé da letra essa realidade. Precisa se unir, priorizar 2010 e ter a consciência do risco real, já que é um direito do nosso principal aliado (o PMDB) nas próximas eleições presidenciais ter uma candidatura própria. Fora a disputa que o governador tucano paulista José Serra levará até às fileiras do PMDB para criar uma base de apoio à sua pretensão presidencial.

O que está em jogo, então, vejam bem, é não só a aliança com o PMDB, mas nossa ida para o 2º turno em 2010. Não é impossível vislumbrar-se hoje - e esse já é o quadro real - um cenário com quatro candidaturas ao Palácio do Planalto: a do PT, provavelmente a ministra-chefe da Casa Civil da presidência da República, Dilma Roussef; a do PMDB, Aécio Neves; a do PSDB, José Serra; e por fim a do PSB, deputado Ciro Gomes (CE).

Sem falar na hipótese de uma chapa tucana Serra-Aécio, com um candidato do DEM a governador de São Paulo. Há, ainda, a possibilidade real de uma aliança Aécio-PSB com o deputado Ciro Gomes de candidato a vice-presidente. E tudo depende, também, de interesses regionais, particularmente, de garantir o apoio para nossa/o candidata/o presidencial no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.

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09/11/2008 - 11:05

“Os EUA rumavam para um tipo de fascismo”

A revista “Domingo” traz uma entrevista bastante interessante sobre a campanha de Barack Obama

NO OLHO DO FURACÃO

EM PASSAGEM PELO BRASIL, CHARLES ROSEN, RESPONSÁVEL PELA
CAPTAÇÃO DE RECURSOS DA CAMPANHA MAIS RICA DA HISTÓRIA DOS
EUA, CONTA COMO AJUDOU A ELEGER O NOVO PRESIDENTE

Repórter: CYNTHIA GARCIA
Foto: DANIEL WAINSTEIN

A campanha democrata, com ajuda da internet, arrecadou em torno de US$ 660 milhões vindos de aproximadamente 1 bilhão de donativos, e entrará para o Guinness como a maior quantia já captada numa eleição. “We made it (conseguimos)!”, disse Rosen, em êxtase, durante as rápidas 48 horas que passou, recentemente, no Brasil.

No cerne da multimilionária campanha para Barack Obama a pedido da senadora Hillary Clinton (Charles trabalhou para ela quando a mulher de Bill estava na corrida eleitoral), o publicitário nascido no Canadá (mas morador de Nova York, onde comanda a empresa de branding Amalgamated) liderou (”voluntariamente”) uma equipe cuja missão era convencer democratas, independentes ­ assim chamados aqueles que não são registra dos em partido algum ­ e indecisos a fazerem doações.

Acabou tendo visão privilegiada da acirrada disputa à cadeira mais nobre da Casa Branca. Presenciou as tentativas de difamação dos dois lados, a polarização do país, a paranóia do fator Bradley (para não ser tachado de racista, o eleitor mentiria para as pesquisas dizendo que votará num candidato negro, mas recuaria na urna) e a adesão da quase totalidade do showbusiness americano ao mantra de mudança ­ “We need change” ­ da campanha democrata (veja mais em quadro à frente). Também viu a segurança de Obama desmantelar três atentados contra ele, o último há três semanas. Aqui, lembra o espetáculo midiático que foram as eleições americanas e faz revelações exclusivas da corrida presidencial que mudou a história.

O que aconteceu que Hillary não foi escolhida como candidata?
É complicado. Havia uma disputa de poder dentro do partido democrata. Havia um grupo que sabia que teria menos poder com a volta dos Clinton. E tivemos um péssimo relacionamento com a imprensa. Eu estava presente nas primárias democratas. Quando eu ia ver a reportagem na CNN sobre a Hillary, parecia outro evento, crucificavam-na.

Por quê?
O segundo mandato de Bill Clinton (referência ao caso Mônica Lewinski) respingou nela. Os problemas que os Estados Unidos enfrentam são muito complexos, a maioria não entende, mas todo mundo sabe o que é um affair. Ele mentiu sobre isso e ficou no inconsciente coletivo.

Como foi o relacionamento com a mídia na campanha do Obama?

Houve uma articulação muito bem feita em torno da campanha. Viajando pelos estados, durante meses, dava para perceber o clima esfuziante crescendo em torno dele, nas igrejas, nos centros comunitários, nas escolas, algo nunca visto antes numa campanha.

Como analisa isso?
Qualquer movimento social, seja o de direito civil, seja a Al Qaeda, se dá por meio de pequenos grupos locais, em torno de um tema e de um líder simbólico. O senador Obama virou esse líder.

A seu ver, Hillary é mais preparada que Obama?
Há dois anos eu teria dito sim. O presidente Obama demonstrou a sua capacidade de liderança e caráter. Ele tem ótima qualidade para um líder: sabe ouvir. E tem uma calma, uma força, impressionantes.

Quando ela não venceu nas primárias, você apoiou Obama, por quê?
Tivemos uma reunião fechada, proibida para a imprensa, em maio, no hotel Mayflower em Washington, e Hillary pediu nosso apoio a Obama. Foi bem tensa, gerou briga. Alguns democratas perderam a confiança no partido, negaram apoio. Outros aceitaram a contragosto, e houve ainda os que concordaram porque perceberam uma liderança no presidente eleito.

E você?
Na realidade, não há diferenças ideológicas entre os dois. Nós, democratas, acreditamos num sistema nacional de saúde, no fortalecimento do nosso sistema educativo e dos Estados Unidos, entre outras coisas. Diferente dos republicanos, que se dividiram em cristãos conservadores, idéias conservadoras em relação aos impostos, o grupo pró-Israel etc. Mas possuem uma característica, por mais diferentes que sejam, conseguem se alinhar. Dizem: “Democrats fall in love, Republicans fall in line” (democratas se apaixonam, republicanos se alinham) (risos).

E o preconceito racial contra Obama e contra Hillary por ser mulher?
Essas questões foram levantadas o tempo todo pela imprensa de forma indireta e transformou as eleições num entretenimento midiático melhor que qualquer reality show. Nas entrelinhas era o tempo todo a questão do negro versus branco ou do homem negro contra a mulher branca.

O que aconteceu quando Obama se tornou o candidato do partido?
Foram dois anos de batalha árdua, e o país teve tempo para ver quem ele é. Viram como ele se comunica com o povo, como toma decisões, como passa as informações de forma radicalmente diferente da administração Bush, que desrespeitou os fundamentos democráticos americanos e estava rumando para um tipo de fascismo.

Explique.
Um pequeno grupo ficou com muito poder nas mãos. A democracia é um conceito delicado, quando a diferença entre as classes sociais fica abismal, ela se perde. Depois de 9 de setembro, passamos a conviver com o medo; em troca de segurança, perdemos boa parte de nossa liberdade como cidadãos.

Como vê os Estados Unidos em relação à comunidade internacional?
A idéia de que somos uma supernação já era. Obama irá manter um diálogo aberto com outros presidentes. A posição de McCain seria a de permanecer com o dedo em riste em relação ao mundo.

Qual cenário prevê para daqui a quatro anos?
Temos um bom tempo para ajustar os ponteiros dessa crise econômica. Acho que Sarah Palin não foi escolhida para ser vice nessa eleição nem para a presidência em 2012, mas para unificar a direita cristã e os evangélicos no partido, que não simpatizavam com a visão mais liberal, entre aspas, de McCain. E dessa maneira trazer dinheiro para os cofres republicanos. Ela deu nova vida ao partido e atraiu um grupo que McCain não conseguiu convencer.

E essa imagem de esquerda do Obama?
Dizem que ele é de esquerda, mas na verdade, ele não é tão de esquerda assim, foi o único lugar que sobrou para ele.

Mas e a relação polêmica dele com o terrorista americano Bill Ayers e o pastor Jeremiah Wright?
A audácia dos republicanos é espantosa. Acusam coisas absurdas e não olham para si. Sarah Palin desfilava nos comícios com seu bebê com síndrome de Down, como se fosse um acessório da produção de seu show. O padrasto de Karl Rove (mais importante estrategista do Partido Republicano) era gay, todo mundo sabia. A filha de Dick Cheney (vice no primeiro mandato de Bush) é gay, e esses dois condenam a união entre pessoas do mesmo sexo! Assisti a vários cultos do reverendo Wright, quando trabalhei para Hillary, quando queria que Obama perdesse a qualquer custo. Mas as palavras do reverendo são inspiradoras e baseadas em conceitos cristãos ¬ e olha que eu sou judeu! Agora, fazer como a imprensa faz, tira um pedaço aqui, edita ali, tudo sai de contexto.

Mas e o Bill Ayers?
Obama saiu da política de Chicago, que faz a de Washington parecer fichinha. Claro que em algum momento vai haver um encontro ou uma associação indevida. Mas não é razão para acabar com o caráter do presidente Obama.

Por que Hillary preferiu continuar como senadora?
O presidente precisa de alguém capaz de apoiá-lo, aconselhálo, mas que não diminua sua imagem. Não podemos esquecer a batalha das primárias de 18 meses para a escolha do candidato do partido. Uma diferença entre republicanos e democratas é que quando Obama se tornou nosso candidato à presidência, ele se tornou também o líder do partido, e com isso tem a responsabilida de de escolher seu vice. Os republicanos tomaram a decisão por McCain. A opção dele não era Sarah Palin, era Joe Lieberman, um judeu e ex-democrata. Imagine se os republicanos aceitariam um vice assim! O partido escolheu-a porque ela representa a direita, e no final foi bom para McCain. Não é oficial, mas corre ter sido Karl Rove quem escolheu Sarah Palin. Em 40 anos tivemos apenas dois presidentes democratas, Jimmy Carter e Bill Clinton; acredite, os republicanos entendem de eleições presidenciais.

O que achou da troca de agressões entre os candidatos?
É importante entender que a imprensa apelou para o sensacionalismo. McCain falou várias vezes que Obama é um homem respeitado, que está feliz por testemunhar um negro na corrida presidencial, mas coisas assim não são publicadas. Claro, ele queria vencer, mas tem a noção exata do momento histórico que estamos vivendo.

Como é Obama fora do palanque?
Pensei que ele fosse explodir com as acusações de Sarah Palin, mas nada, o homem tem uma calma fora do normal.

Depois dessa campanha de difamação, ódio e polarização do país, não teme que Obama seja assassinado?
Não acredito que isso aconteça. Quando o presidente Obama levar o país para um futuro melhor, essa animosidade muda.

O que significa ter Barack Obama como presidente?
Ele simboliza a resposta à ideologia do governo Bush. O país busca outro caminho desesperadamente para repararmos os erros cometidos pela administração atual e seguir em frente. Obama possui a visão, a personalidade, a força e a capacidade de governar a nação neste momento tão difícil.

E se McCain tivesse ganhado?
Eu me mudaria de volta para o Canadá (risos).

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06/11/2008 - 15:26

A propósito da eleição de Barack Obama, nos EUA, vale reler o célebre discurso de Martin Luther King, em 28 de agosto de 1963. O líder negro americano recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 1964 e foi assassinato no dia 4 de abril de 1968. Tomara que, agora, os americanos tenham aprendido.

EU TENHO UM SONHO
(no final, o vídeo no You Tube do discurso)

“Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação.

Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros.
Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre.
Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação.
Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa condição.

De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com “fundos insuficientes”.

Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça.

Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo.
Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia.
Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial.
Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus.

Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre.

Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.

E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, “Quando vocês estarão satisfeitos?”

Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.

Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero.

Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.

Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.

Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.

Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.

Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.

Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado.

“Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto.

Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos,

De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!”

E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro.

E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire.

Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York.

Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania.

Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado.

Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia.

Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia.

Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee.

Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi.

Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade.

E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro:

“Livre afinal, livre afinal.

Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal.”

Enviado por: talesfaria - Categoria(s): Sem categoria Tags relacionadas:
06/11/2008 - 11:32

Olá, mundo!

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Enviado por: celinau - Categoria(s): Sem categoria Tags relacionadas:
04/11/2008 - 10:47

recordar é viver

Enviado por: talesfaria - Categoria(s): Sem categoria Tags relacionadas:
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